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POESIA

Posted in Poesia & Arte por Joaquim Cesário de Mello em junho 6, 2009

POST MORTEM

Não há além além de mim
e minha alma é tão recente quanto eu.

Já são tantas e tamanhas as ardências
que trago no peito e no pulsar das veias
que nenhum inferno me há de ser reservado.

Ninguém me esperará depois de mim
sequer meus mortos ou minhas lembranças
pois no despejado azul do céu
não habitam anjos ou querubins
apenas pássaros que voam
indiferentes e alheios
à romaria terrena dos homens.

São muitos os abandonados
assim como muitos abandonarei
mas quando nada mais restar
exceto a mudez das minhas memórias
e o vácuo geométrico da ausência
estarei quem sabe escondido
deste meu rosto e desta minha face
em um lugar que não existe
a não ser na exaustão dos sonhos inconsumados.

E por fim
quando o fim vier
no fechar derradeiro das pálpebras
não haverá o encerrar de cortinas
nem o silenciar surdo dos aplausos
mas tão somente e apenas
o fechar de um rápido e estreito parêntesis.

Não há além além de mim
e a vida é tão precoce quanto eu.
 

Joaquim Cesário de Mello

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2 Respostas to 'POESIA'

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  1. juliana saturnina said,

    Joaquim, não há uma só vez, que ao visitar seu blog, não contemple esta poesia. A sensação de revisitar a mim mesma, quando a leio é muito forte. Estes dias a finute se apresenta com uma necessidade urgente. Mas quem disse que consigo me despreender daquilo que nunca foi meu. Talvez ainda não cansei de viver de sonhos.rssssssssssbeijos!
    Quero contribuir com o blog começo compartilhando o site de cronicas de Jabor http://www.pensador.info/autor/Arnaldo_Jabor/

    • Joaquim Cesário de Mello said,

      Aproveito a deixa, Juliana, para tanto solicitar a você, assim como aos demais transeuntes aqui do blog, que deixem sugestões do sites e outros blogs. A respeito do assunto, estaremos aqui também no HUMANASBLOG abrindo uma página com destaque para sites. blogs. jornais e revistas de interesse ao nosso pretenso público alvo. Com certeza o de Jabor lá estará. Manda, quando puder, reflexões e/ou pensamentos sobre o que te instiga tanto o poema acima.
      No mais, obrigado pela visita, e nos veremos em breve.
      Cheirão.


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