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CINEMA

Posted in Cinema por Joaquim Cesário de Mello em junho 7, 2009
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COMENTÁRIOS SOBRE UMA ANALFABETA
 
Assisti outro dia ao filme “O Leitor”. Uma história interessante que certamente encantará, sem dúvidas, as senhoras que desdenham dos homens que as trocam por “meninas” mais jovens. Não vou contar o enredo, mas está na cara que há um clima romântico entre uma mulher mais “madura” e um jovenzinho. A mulher madura é uma pessoa simples e analfabeta. Envergonhada por essas condições chega ao extremo de aderir a SS, – o filme se passa na Alemanha nazista – e a cometer crimes hediondos.  Em nome de um orgulho patológico, a personagem vai a julgamento e é culpada pelos atos, justamente por que desconhecia as palavras escritas. Um filme bonitinho, que traz uma “moral” simples: “Leia e não serás assassino”, ou “Não tenha vergonha de sua ignorância que isso poderá lhe levar a caminhos mais desumanos”. As coisas não são assim…
            Penso que se depositou ou se atribuiu a literatura um lugar de poder que ela não tem, e acho que ler a bíblia ou a Odisséia não salvará a humanidade dos extensos extermínios e  da crueldade humanas . A idéia de extermínio escapa, a consciência, o Cogito, e está embevecida no contágio coletivo de uma exclusão a que um segmento da população foi submetido. Não irei aprofundar mais, por desconhecer o objeto: extermínio. O único comentário que tenho a fazer, é que as palavras tem força, são ousadas, atrevidas, mas infelizmente elas são incapazes de domar os atos obstinados da criatura humana. Interessante que em “O Leitor” a personagem se mata apoiando livros sobre seus pés, na tentativa de facilitar seu enforcamento – a personagem se suicida, tirando os livros abaixo dos seus pés. Os livros são facilmente chutáveis…

Marcos Creder
marcoscreder@yahoo.com.br

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2 Respostas to 'CINEMA'

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  1. Flávia Emília said,

    É sobretudo, uma história de amor, talvez alguns de nós venhamos a
    passar, certamente em cenários diferentes, mas com um enredo muito
    parecido.

    • Joaquim Cesário de Mello said,

      Sim, Flávia, realmente uma história de amor pela vida. E é o que faz o personagem Antônio em seu derradeiro esforço em se despedir dela com singela admiração e respeito. Uma história de amor e de despedida com dignidade: uma lição, pois, de vida.
      Poeticamente imperdível.


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