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INFÂNCIA NOS ANOS 60

Posted in Memórias Afetivas por Joaquim Cesário de Mello em junho 28, 2009

O que significa hoje, à distância dos anos e das décadas, ter tido uma infância nos anos 60?

Ser criança nos anos 60 é ter curtido filme de Jerry Lewis e se encantado ao som do tema musical do filme “Ao Mestre Com Carinho”.

Ter sido menino no anos 60 é ter viajado de Rural, pedalado de velocípede, brincado de Forte Apache, em que me sentia o verdadeiro dono de Rim Tim Tim,  e montado avioezinhos da Reveel comprados na Viana Leal (ah! que saudade da sua escada rolante).

Ter tido infância nos anos 60 é ter brincado nos escorregos de cimento do Parque Treze de Maio, andado de bicicleta entre árvores, lagos e esculturas, bem como ter assistido pela televisão incrédulo e fascinado o homem pisar na lua.

Quem, como eu, foi criança nos idos dos anos 60 haverá de se lembrar do nosso Super-Herói (muito antes de qualquer Super-Homem, Batman ou Homem-Aranha): National Kid.

Menino que era menino de verdade, nos anos 60, tinha que ficar acordado até tarde e assistir Bat Masterson para dormir cantando “No velho oeste ele nasceu/ e entre bravos se criou/seu nome lenda se tornou/Bat Masterson/Bat Masterson…”

Ter sido criança nos anos 60 é não ter entendido o que é que aqueles tanques estavam fazendo ali nas ruas e por que os soldados não eram de plástico ou de chumbo como meus brinquedos.

Ter podido ser criança nos anos 60 foi ter podido assistir na televisão às tardes os 3 Patetas e escutado à noite na radiola dos meus pais a trilha sonora de My Fair Lady, sem entender uma palavra do que cantavam.

Ah, os anos 60! Foram tão rápidos e ligeiros. Agora é como aquele retrato na parede do poema de Drummond. Ficaram suas marcas e as décadas seguintes só foram as décadas seguintes porque fui criança nos anos 60: anos de minha meninice, mas igualmente anos em que ela começou sem eu mesmo perceber a se despedir de mim. Vieram os Beatles, os festivais da Record, o colorido psicodélico da contra-cultura e os primeiros bailes iluminados à luz negra. Mas isto é outra história para outro momento de intimidade e saudade.
Até mais ver, então, meus anos 60.

Abaixo a música tema do filme “Ao Mestre com Carinho”. Com ela meus afetos pré-púberes começaram a iniciar o princípio do fim de minha infância, lá pelos idos dos anos 60.

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