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CINQUENTA ANOS DE UM AMIGO

Posted in Notícias e Eventos por Joaquim Cesário de Mello em julho 4, 2009

Hoje aniversaria, fazendo 50 anos, um grande e querido amigo meu Adeildo Júnior. Adeildo é daqueles amigos construído de longas datas que muito me remete a o antigo slogan do Reporter Esso: “testemunha ocular da história”. Tenho por Adeildo uma amizade que de fato me faz lembrar aquela frase do filósofo Aristóteles: “um amigo se faz rapidamente; já a amizade é um fruto que amadurece lentamente”.

Nossa amizade já atravessou décadas, crises existenciais, ausências, separações, momentos difíceis da vida de cada um, bem como momentos de presenças, conquistas e alegrias. Vimos nossos filhos ainda nos ventres maternos e depois crescerem e virarem adultos. Sim, Adeildo é um amigo pra “se guardar no lado esquerdo do peito” como diz a música Canção da América de Milton Nascimento e Fernando Brant.

E por falar em música e quem conhece Adeildo sabe o quanto exímio conhecedor e divulgador da música sertaneja que ele é, inclusive intérprete da mesma através de sua inigualável, inimitável e inesquecível BANDA VUOU.

Por isto é que hoje dedico meu post a meio século desta  pessoa boa, amável e amiga de quem agora falo.
À você Adeildo, homenegeio-o com a transcrição abaixo do poema ANIVERSÁRIO de Fernando Pessoa:

“No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui…
A que distância!…
(Nem o acho…)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes…
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio…

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim…
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui…
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais       copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!…

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!…”

Bem,  como Adeildo é um apreciador da música popular brasileira, deixo aqui abaixo um vídeo (não, não é sobre música sertaneja; seria muito pro HUMANASBLOG) com a música de que falei acima CANÇAO DA AMÉRICA:


Feliz aniversário e outros mais, bem mais, haveremos de compartilhar juntos novamente, mais uma vez. E se é, como diz o poeta Mário Quintana que “a amizade que é um amor que nunca morre”, então, amigo, TE AMO, um amor amigo diga-se de passagem.

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Uma resposta to 'CINQUENTA ANOS DE UM AMIGO'

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  1. Adeido Junior said,

    … Só um verdadeiro irmão pra fazer uma homenagem deste tamanho. Só posso agradecer, do fundo do coração. Como diz uma música cantada por Leonardo: “Eu não sei pra onde vou, pode até não dar em nada. Minha vida segue o sol, no horizonte dessa estrada.” (Um sonhador) De uma coisa tenho certeza: enquanto tivermos amigos nunca estaremos sozinhos. Um grande abraço de um amigo que também te ama, Adeildo Junior.


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