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YEATS: um poeta irlandês e universal

Posted in Memória Cultural por Joaquim Cesário de Mello em julho 9, 2009
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Pensava em postar um pouco na categoria O Mundo e as Letras sobre a poesia  irlandesa, mas quando me deparei novamente com a obra poética deste que possivelmente é o maior e mais significativo poeta irlandês, William Butler Yeats, vi que cabia ao mesmo um espaço maior aqui no HUMANASBLOG, afinal Yeats transcede à literatura irlandesa e é, sem sombra de qualquer dúvida, considerado um dos maiores poetas do século XX.

Yeats nasceu 1865, na cidade de Dublin na Irlanda. Não apenas poeta,      mas também dramaturgo, foi laureado com o Prêmio Nobel e Literatura em 1923. Sua poesia tem marcante raízes no folclore irlandês, assim como é bastante impregnada pelo misticismo. Sua obra, em geral, é também influenciada pela mitologia celta, tendo tido sua inspirada e inspiradora produção artística um papel fundamental no chamado renascimento irlandês. Ativista político, Yeats chegou a ser inclusive senador.

Sua extensa e significativa obra é composta, entre outros, de: Crossways, The Rose, The Tower, In The Seven Woods, New Poems, Last Poems e The Secret Rose.

Apreciemos, então, de seu lirismo poético, de sua verve e de sua estética formal. Com vocês, W.B. YEATS:

QUANDO FORES VELHA


Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;
Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;
Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.

A ROSA DO MUNDO

Quem sonhou que a beleza passa como um sonho?
Por estes lábios vermelhos, com todo o seu magoado orgulho,
Tão magoados que nem o prodígio os pode alcançar,
Tróia desvaneceu-se em alta chama fúnebre,
E morreram os filhos de Usna.
Nós passamos e passa o trabalho do mundo:
Entre humanas almas que se agitam e quebram
Como as pálidas águas e seu fluxo invernal,
Sob as estrelas que passam, sob a espuma do céu,
Vive este solitário rosto.
Inclinai-vos, arcanjos, em vossa incerta morada:
Antes de vós, ou de qualquer palpitante coração,
Fatigado e gentil alguém esperava junto ao seu trono;
Ele fez do mundo um caminho de erva
Para os seus errantes pés.

VERSOS ESCRITOS EM DESALENTO

Quando é que eu vi pela última vez
Os olhos verdes redondos e os corpos longos vacilantes
Dos leopardos escuros da lua?
Todas as bruxas selvagens, aquelas senhoras muito nobres,
Por todas as suas vassouras e as suas lágrimas,
Suas lágrimas de raiva, fugiram.
Os santos centauros das colinas desapareceram;
Não tenho nada para além do amargado sol;
Banida mãe lua heróica e desaparecida,
E agora que cheguei aos cinquenta anos
Tenho que aguentar o tímido sol.

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Uma resposta to 'YEATS: um poeta irlandês e universal'

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  1. marcos said,

    Yeats foi um grande poeta que se sentia ligado profundamente a questões do espirito , do misticismo!


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