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SOCIEDADE DE CONSUMO – PARTE I

Posted in Sociedade Contemporânea por Joaquim Cesário de Mello em julho 19, 2009
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O que chamamos de contemporaneidade nos remete fatalmente a termos como capitalismo, sociedade pós-industrial, sociedade de consumo, pós-modernidade, cultura narcísica, indústria cultural, cultura de massa, sociedade das mídias, sociedade da informação ou eletrônica, entre outros. Falar em contemporaneidade, portanto, em termos ocidentais, é inevitavelmente falar em sociedade de consumo e consumismo.

Se formos basear no que diz o wikipédia, sociedade de consumo é um termo que designa o tipo de sociedade que se encontra numa avançada etapa de desenvolvimento industrial capitalista e que se caracteriza pelo consumo massivo de bens e serviços, disponíveis graças a elevada produção dos mesmos. Mas, ATENÇÃO, CUIDADO, a definição assim tão enxuta nos camufla muitas coisas e muitas ideologias se fazem presentes de maneira sutil e silenciosa. Vejamos um pouco mais do que é esse pretenso “mar de rosas“.

O capitalismo que hoje se vive é um capitalismo avançado se compararmos aos seus primórdios mercantis e industriais. Segundo Frederic Jameson, em seu livro “Pós-modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio” ´(Ed. Ática, 2002), vivemos uma era de capitalismo tardio que é uma espécie de sucedâneo do anterior estágio do capitalismo imperialista, tendo ele hoje uma face multinacional e de mercado global. Para Jameson a pós-modernidade é definida como uma tentativa histórica de se pensar o presente em uma época que já se esqueceu de pensar dessa maneira, em uma ânsia contínua e incessante de se buscar o instante para logo a seguir se buscar o próximo instante. E dentro da lógica contemporânea há de se ver a pós-moderno “como a produção de pessoas pós-modernas – como diz Jamenson – capazes de funcionar em um mundo sócio econômico muito peculiar”.

Assim, podemos dizer que economicamente o avanço do desenvolvimento do sistema capitalista desembocou em um estágio (atual) de abundância e excessividade (bases do consumismo como modelo econômico), e com ele sua lógica: a lógica consumista. A lógica consumista do sistema capitalista contemporâneo forma seres obedientes à própria lógica, ou seja, consumidores em série. Afinal, sem consumidores ávidos não haveria a sociedade consumista como a entendemos e vivemos hoje. A mentalidade é, pois, desejar, adquirir, consumir, descartar, voltar a desejar novamente e assim por diante em uma insaciável e quase interminável círculo vicioso (Carrosel do Consumo).

O homem contemporâneio, pois, agora transformado em consumidor (homo consumens), vive como que mergulhado em um mar profundo e infindo de mercadorias e imagens. Acha-se escravizado pela tecnologia e, sem ela, considera não conseguir viver. Entretanto, o que é comodidade virou acomodação. Os objetos e toda a maquinaria tecnológica, celebrizadas pela publicidade e pelos meios de comunicação de massa, perdem cada vez mais o sentido de serem coisas a serviço do homem e se transmutam em senhores do próprio homem. Engana-se aquele que pensa ser os shoppings, lojas, centros comerciais, supermercados e mercados diversos o locus do consumo. Como bem descreve Baudrillard (“A sociedade do consumo”, Ed. Lisboa, 1987) o lugar do consumo é a vida cotidiana: este somatório de fatos banais, gestos diários e repetição.

Não é difícil perceber e criticar que o modelo vigente de sociedade de consumo (consumismo) é um modelo a serviço de sua base econômica (infraestrutura) e das forças capitalista (capital) aí existentes. Pessoas, assim, acabam sendo “convertidas” em meros consumidores das falsas necesidades geradas pela força e necessidade do próprio consumismo industrial. O prazer corre, dessa maneira, um forte risco de se reduzir a simplesmente o prazer do consumo em si, tão somente. Freud, em seu célebre livro “O mal estar na civilização (1929), já nos  alertava que se o progresso da humanidade seguisse apenas o avanço tecnológico e não levasse em conta a dimensão humana, o mal-estar, a angústia das pessoas iria aumentar cada vez mais. O rimo da vida acelerado nos impõe desgastes consideráveis e significativos em nossos laços fetivos interpessoais, ao secundarizarmos, por exemplo, família e amigos.

No império e tirania do sistema de consumo sucumbre o indivíduo como sujeito de sua própria singularidade. Adorno já dizia (“A indústria cultural e sociedade”, ed. Paz e Terra, 2002) que tal falência se explicita quando a ilusão no indivíduo o leva a um comportamento padronizado e adequado ao modo de produção de uma indústria cultural geradora, por sua vez, de uma cultura de massa. Segundo ele o que predomina é a pseudo-individualidade: individualidades produzidas em série. Como que robotizados, a lógica do consumo e do capital nos invade e domina nossos corações e mentes. O eu, o verdadeiro eu do sujeito (?) contemporâneo, atrofia-se.

O HUMANASBLOG, como afirma sua proposta originária (vide acima ‘´PERFIL DO BLOG”), insere-se no front do questionamento do tipo de sociedade que vivemos e do tipo de sociedade que sofremos, afinal, como lemos em Bauman (creio que em “O amor líquido” editado pela Zahar em 2004) devemos deixar de procurar soluções biográficas para problemas socialmente construídos.

Tempos em tempos voltaremos ao tema em busca de melhor aprofundá-lo em sua ampla complexidade e trama. Para agora finalizarmos, ou melhor, dar uma breve pausa para mais adiante retornar, deixamos com vocês este pequeno videoclipe sobre o assunto por ora abordado. Vejam:

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Uma resposta to 'SOCIEDADE DE CONSUMO – PARTE I'

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  1. Flávia Emília said,

    Hoje, sucesso e felicidade se reduzem a dinheiro,
    aparência e sexo. Assim, cada dia será o dia do
    desencanto. – Na medida que permitirmos isso.


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