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O MUNDO LÍQUIDO E O MEDO SÓLIDO

Posted in Sociedade Contemporânea por Joaquim Cesário de Mello em julho 24, 2009

O medo é um afeto humano primário e necessário à vida e a sua sobrevivência. Desde nosso nascimento já trazemos em nós o sentimento do medo, um medo primal de caráter paranóico por excelência e natureza. O medo haverá de gerar em nós a cautela e com ela vivemos a existência minimizando possíveis riscos. Acontece que o medo quando exagerado nos paraliza e nos congela, limite e tolhe o desenvolvimento de nossas potencialidades e auto-realizações. O medo em excesso nos gera infelicidade e sofrimento além da conta. Sim, precisamos nos sentir seguros, mas da mesma forma segurança demais é consequência do medo em excesso e esta segurança exacerbada (ou a sua necessidade) nos entorpece, igualmente nos tolhe e nos atrofia a liberdade e o desabrojar de nossa mais legítima humanidade.

Moises Hergueta

Moises Hergueta

Vivemos uma época cuja ideologia do bem-estar pessoal e individual impera e nesta “cultura narcisista” o diferente e o estranho nos incomoda e nos ameaça e assusta. A figura e um outro estranho “só adquire importância quando se presta a satisfazer os nossos objetivos egoístas”, nos diz Renato Nunes Bittencourt em sua texto publicado na Revista Filosofia, número 36, e que ora sugerimos a leitura através do endereço: o-medo-na-era-da-liquidez-o-traco-mais-141617-1.asp

Edvard Munch

Os tempos contemporâneos (mundo ocidental), chamados por muitos de pós-modernidade, são tempos de uma modernidade líquida, se ficarmos com a feliz expressão de Zygmund Bauman. Para Bauman o que mudou na modernidade de hoje para a modernidade de ontem foi a solidez que se transformou em liquidez, no sentido de que atualmente tudo parece ser volátil, inclusive as relações interpessoais-afetivas, e com isso as próprias relações humanas vão perdendo consistência e estabilidade. A velocidade com que vivemos a vida e nossas relações pessoais nos deixa cada vez mais incertos e inseguros. Nossas inevitáveis fragilidades por vezes se ocultam em meio a tanta tecnologia, mas se revelam na maneira como sofre o ser humano contemporâneo.

E no existir humano em um cenário como o atual é que  o sentimento do medo nos espreita sorrateiro pelas brechas de nossas pseudos seguranças e assim começamos temer tanto e quase tudo, seja pelo medo de perder o conforto material e as conquistas pessoais, seja pelas crises econômicas ou pelas instabilidades da vida urbana, ou até mesmo pelos perigos próprios da vida em si mesma. Por isto, repito, vale a pena ler a matéria sugerida, cujo título é “O MEDO NA ERA DA LIQUIDEZ”, acessando o link acima destacado. Vale, igualmente, uma boa discussão sobre o tema.

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Uma resposta to 'O MUNDO LÍQUIDO E O MEDO SÓLIDO'

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  1. Flávia Emília said,

    Não estou conseguindo acessar o link.


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