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CAPITALISMO EM CRISE

Posted in Sociedade Contemporânea por Joaquim Cesário de Mello em agosto 11, 2009

Desde meados do ano passado estamos vivenciando uma crise econômica sem precedentes nos últimos anos e, segundo muitos analistas, somente comparável e menor em relação à famigerada crise de 1929 e o ínicio da chamada “Grande Depressão Americana”. A crise pela qual estamos passando não começou com data marcada, ao contrário, veio em um gradual processo que insidiosamente vinha se arrastando no seio econômico do sistema capitalista (a economia americana, por exemplo, oficialmente está em recessão desde 2007) e culminou com a crise imobiliária nos EUA. Lá nos States os bancos fomentaram, isto é, injetaram muito dinheiro (demais até) no setor, aumentando perigosamente o risco, visto que a proteção ao crédito cedido diminuia ao tempo em que elevava-se os juros com objetivo de igualmente aumentar os lucros e como forma e recurso de se defender da inadimplência. Coisa de doido, não? Hoje a gente pode até achar condução temerária dos negócios e loucura financeira (ou suicídio), mas à época não, afinal a coisa tava dando certo e ia-se ganhando rios de dinheiro. Oh felicidade! Todo mundo ia às compras, o dinheiro jorrava fácil, aliás, a ilusão do dinheiro, pois o que tínhamos não era dinheiro vivo e a cores, porém crédito, muito crédito e crédito fácil e abundante. Não precisamos ser economistas para perceber (agora, tempos atrás não: estávamos fascinados pela ilusão do “dinheiro” imediato, fácil e sem esforço) que se estava alimentando uma bolha (bolhas estouram). As hipotecas do imóveis americanos bancavam a farra, todavia toda farra tem um dia seu fim  e o fim desta chegou.

Subprime virou palavra de moda e incorporou-se ao vocabulário brasileiro. Subprime, em resumo, constitui-se em um crédito de alto risco concedido a um tomador que não oferece garantias suficientes, entretanto quanto maior o risco maior igualmente é o retorno financeiro (lucro) – se houver, é claro. E houve durante muito tempo. A negociata com as dívidas hipotecárias foi aumentando, isto é, gestores e fundos bancários compravam títulos hipotecários (subprime mortgage) e antes da dívida ser liquidada parte da quantia era novamente emprestada, havendo assim uma espiral ascendente de recompra de títulos, inflada por uma excessiva confiança na capacidade de compra do tomador como consumidor – como se ela fosse eterna. Desse modo gerou-se uma cadeia maior de risco, com o aumento sucessivo no preço das casas e dos juros cobrados. Para se ter uma idéia da iminência do estouro da bolha, já em 2004 lá nos EUA os juros básicos da economia beiravam os quase 5,5% a.a., o que para aquelas bandas era muito alto e corrosivo.

Continuando o acima exposto um fenômeno foi ocorrendo, a saber: com o aumento das taxas de juros (aumento este motivado pelo próprio risco envolvido nas transações) os proprietários das casas hipotecadas começaram a ter sérias dificuldades em se manter adinplentes. Iniciou-se um deletério aumento da inadimplência, que resultou, inevitavelmente, em uma acentuada crise de liquidez que, por sua vez, gerou escassez de crédito. Os imóveis, assim, devido a menos crédito na praça, começaram a se desvalorizar e o seu valor real passou a ser menor do que o valor da dívida (hipoteca). Gente então deixou de pagar e sem pagamento entrando os bancos começaram a sentir falta de dinheiro novo. De repente (não tão de repente assim) o ilusório dinheiro fácil de fato desapareceu. Se o leitor é daqueles que gosta de datas e quer uma data de nascimento para a atual crise econômica (embora os pais sejam muitos), vamos lá: agosto de 2008. Nesta data o antes todo poderoso e tradicional banco americano Lehman Brother quebrou e jogou a toalha, isto é, pediu concordata. A coisa de espalhou e atingiu diversos bancos e casas financeiras em uma espécie de efeito dominó. A crise continuou a se dissiminar e logo atingiu em cheio a economia real (o que aconteceu com a GM é um exemplo disto).

 

A ameaça da recessão mundial e a sombra dos anos 30 pairam no ar. Para que haja de fato recessão é necessário que haja diminuição do crescimento econômico. A retração do crescimento econômico traz consequências perversas por demais conhecidas, tais como: diminuição dos salários e da produção, concordatas, falências e desemprego. A questão que se faz, em um cenário econômico como este, é se realmente deve a sociedade (isto é: todos nós) pagar a conta de uma jogatina financeira que se escondia por detrás de uma fachada “democrática” de liquidez e distribuição de capital (quando o que havia e há é uma distribuição do crédito, ou seja, endividamento) onde um pequeno segmento de especuladores e espertalhões é quem dita as regras com objetivos vorazes de almejarem ganhos a todo custo, custe a quem custar (vide o recente escândalo financeiro referente a fraude perpetuada pelo antes influente financista Bernard Madoff, bem como o acintoso pagamento de bônus da AIG a seus altos executivos, mesmo em meio à crise de que estamos falando). E é exatamente sobre isto a matéria de Jorge Luiz Souto Maior, publicada no “Le Monde Diplomatic” com o título “Crise Mundial: as garantias de direitos sociais e o capitalismo”, e que estamos colocando ao alcançe do transeute aqui do HUMANASBLOG através do link: 2009-05,a2844.

Vamos refletir sobre o assunto.

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