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POESIA

Posted in Poesia & Arte por Joaquim Cesário de Mello em agosto 23, 2009
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POR DETRÁS DOS VIDROS


Penso-me protegido
por detrás das vidraças de minhas janelas
aqui onde ventos não me assanham cabelos
nem o frio das ruas me arrepiam a pele.

Como se nada me atingisse
vou-me iludindo de infinitudes
e são tantos e tantos os intermináveis dias
que haverei um dia ou de romper
os limites quebradiços dos meus espelhos
ou sucumbir sufocado de infância e eternidade.

Engordo-me em armaduras de cristal
sem saciar nenhuma fome ou sede
e enorme vou ficando de tão cheio
das imensidões das lembranças inapagáveis.

Como quisera por um breve instante
passageiro e repentino até
poder deixar de ser eu e minhas inquietudes
e respirar sem o abafado cansante das interioridades.

Gostaria assim liberto de mim
dissolver-me líquido e lento
como esta furtiva lágrima
que me escorre a face e ninguém vê
nem mesmo a mulher que me dorme ao lado.

Joaquim Cesário de Mello

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Uma resposta to 'POESIA'

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  1. Janaína Ramos said,

    Não posso deixar de registrar, mesmo que tardiamente, que essa poesia é linda demais!!!! Acho incrível o dom que você tem de tocar a alma humana através de suas belíssimas poesias…


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