HumanasBlog


WOODSTOCK: 40 ANOS

Posted in Memória Cultural por Joaquim Cesário de Mello em setembro 11, 2009

Quem é jovem nos dias atuais talvez tenha ouvido falar aqui ou acolá do festival Woodstock ocorrido no interior dos EUA a exatos 40 anos atrás. Quem é fã de rock ou conhece ou tem curiosidade pela contra-cultura, com certeza já assistiu ao homônimo filme documentário de Michael Wadleigh que, segundo o Los Angeles Times é descrito como “não só um excelente documentário que espelha os seus tempos, mas filme definitivo sobre um concerto de rock”.

O referido festival, apresentado à época como “uma exposição aquariana: 3 dias de paz & música”, teve de tudo: muita música, droga, sexo, lama, confusão e igualmente muita “paz e amor”. Era o auge dos anos hippie, e por lá apresentaram-se músicos e cantores do naipe de Joan Baez, Santana, Creedence Clearwater Revival, Janis Joplin, The Who, Joe Cocker, Jimi Hendrix, entre outros. Sim, havia um sonho aos jovens de 40 anos atrás. E o sonho não havia ainda acabado.

Na esteira de comemorações dos 40 anos daquele festival, que acabou sendo um verdadeiro marco da história da contra-cultura, estamos disponibilizando ao leitor transeunte aqui do HUMANASBLOG uma ampla reportagem e matéria sobre o evento publicada na Folha de São Paulo. Para tal basta acessar o seguinte link:  woodstock40anos

Conheça mais sobre o festival Woodstock: Festival_de_Woodstock

TICO TICO: O QUE LIAM NOSSOS AVÓS

Posted in Memória Cultural por Joaquim Cesário de Mello em agosto 21, 2009

A revista Tico Tico foi a primeira revista a publicar quadrinhos no Brasil. Editado por Luiz Bartolomeu de Souza e Silva (dono do jornal “O Malho”) a partir de proposta do cartunista Renato de Castro e do poeta Cardoso Júnior, teve seu nascimento em out/1905. A revista, que tinha forte influência francesa, teve como principal personagem  Chiquinho, e embalou a fantasia e o humor de gerações e brasileiros até os anos 60 (teve vida e sobrevida de 57 anos anos).

Pela revista passaram importantes nomes da intelectualidade brasileira de então, tais como Ângelo Agostini, Alfredo Storni, Paulo Afonso, entre tantos.

Além de Chiquinho, haviam Benjamim, Réco-réco, Goiaba, cachorro Jagunço, Maria Fumaça, Azeitona, Bolota, Lamparina, Zé Macaco, Faustina, Baratinha e vários outros. Através das páginas da revista a imaginação de nossos avós (acreditem, eles um dia foram crianças) voava e eles podiam se deliciar com o que tinha de melhor também no cenário internacional, pois lá na revista eles entravam em contato com, por exemplo, textos e histórias de ninguém mais que Mark Twain ou  Júlio Verne, bem como conhecer Dom Quixote e Gulliver, além de lerem clássicos como “A Ilha do Tesouro”. Que diferença em relação ao que ler as crianças de agora, não acham?

Hoje é uma raridade quem conserva exemplares da revista. Por sorte, herdei do baú de lembrança de meus pais alguns números da Tico Tico em que, vez em quando, viajo no tempo ao passado de outrora e de antes de mim. É fantástico, tanto o humor, os textos como os reclames publicitários (sim, era assim que se chamava a propaganda: reclame). Conhecer a revista é conhecer um pouco o sonho infantil de nossos pais e avós, muito antes deles sonherem filhos e netos.

Conheçam mais sobre a revista acessando: http://blogln.ning.com/profiles/blogs/revista-tico-tico-sandra-pina

YEATS: um poeta irlandês e universal

Posted in Memória Cultural por Joaquim Cesário de Mello em julho 9, 2009
Tags: , ,

Pensava em postar um pouco na categoria O Mundo e as Letras sobre a poesia  irlandesa, mas quando me deparei novamente com a obra poética deste que possivelmente é o maior e mais significativo poeta irlandês, William Butler Yeats, vi que cabia ao mesmo um espaço maior aqui no HUMANASBLOG, afinal Yeats transcede à literatura irlandesa e é, sem sombra de qualquer dúvida, considerado um dos maiores poetas do século XX.

Yeats nasceu 1865, na cidade de Dublin na Irlanda. Não apenas poeta,      mas também dramaturgo, foi laureado com o Prêmio Nobel e Literatura em 1923. Sua poesia tem marcante raízes no folclore irlandês, assim como é bastante impregnada pelo misticismo. Sua obra, em geral, é também influenciada pela mitologia celta, tendo tido sua inspirada e inspiradora produção artística um papel fundamental no chamado renascimento irlandês. Ativista político, Yeats chegou a ser inclusive senador.

Sua extensa e significativa obra é composta, entre outros, de: Crossways, The Rose, The Tower, In The Seven Woods, New Poems, Last Poems e The Secret Rose.

Apreciemos, então, de seu lirismo poético, de sua verve e de sua estética formal. Com vocês, W.B. YEATS:

QUANDO FORES VELHA


Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;
Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;
Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.

A ROSA DO MUNDO

Quem sonhou que a beleza passa como um sonho?
Por estes lábios vermelhos, com todo o seu magoado orgulho,
Tão magoados que nem o prodígio os pode alcançar,
Tróia desvaneceu-se em alta chama fúnebre,
E morreram os filhos de Usna.
Nós passamos e passa o trabalho do mundo:
Entre humanas almas que se agitam e quebram
Como as pálidas águas e seu fluxo invernal,
Sob as estrelas que passam, sob a espuma do céu,
Vive este solitário rosto.
Inclinai-vos, arcanjos, em vossa incerta morada:
Antes de vós, ou de qualquer palpitante coração,
Fatigado e gentil alguém esperava junto ao seu trono;
Ele fez do mundo um caminho de erva
Para os seus errantes pés.

VERSOS ESCRITOS EM DESALENTO

Quando é que eu vi pela última vez
Os olhos verdes redondos e os corpos longos vacilantes
Dos leopardos escuros da lua?
Todas as bruxas selvagens, aquelas senhoras muito nobres,
Por todas as suas vassouras e as suas lágrimas,
Suas lágrimas de raiva, fugiram.
Os santos centauros das colinas desapareceram;
Não tenho nada para além do amargado sol;
Banida mãe lua heróica e desaparecida,
E agora que cheguei aos cinquenta anos
Tenho que aguentar o tímido sol.

MEMÓRIA CULTURAL

Posted in Memória Cultural por Joaquim Cesário de Mello em junho 20, 2009

KANDINSKYVer imagem em tamanho grande

Wassily Kandinsky
KANDINSKY(1866-1944), artista plástico de nacionalidade russa, foi o pioneiro e fundador da arte abstrata. Foi professor da famosa escola de artes plásticas, design e arquitetura, Bauhaus (Alemanha), tendo que fugir daquele país no período nazista (que consideravam sua obra degenerada) passando a morar na França.
Não apenas pintor, foi igualmente um teórico da arte abstrata, escrevendo o clássico: ““Do espiritual na Arte e na Pintura”.  Certa vez Kandinsky afirmou: “As cores são a chave, os olhos o machado, a alma é o piano com as cordas”.
O abstracionismo busca suprimir a relação entre o quadro e a realidade ao não representar objetos próprios da realidade exterior, seja tanto pela figuração quanto pela imitação pura do mundo. Em resumo, o abstracionismo, ao não representar a realidade concreta dos objetos, utiliza-se da relação entre as cores, as linhas, os planos e as superíficies.
Abaixo algumas obras do artista para apreciação e deleite dos olhos e da alma:
Ver imagem em tamanho grandeVer imagem em tamanho grandeVer imagem em tamanho grande

MEMÓRIA CULTURAL

Posted in Memória Cultural por Joaquim Cesário de Mello em maio 31, 2009

Para as gerações mais novas, principalmente para aqueles cujo hábito da poesia é menos praticado ou curtido, descrevemos alguns dos  mais conhecidos poemas do poeta pernambucano Carlos Pena Filho. E quem foi Carlos Pena Filho?

Carlos Pena nasceu em Recife (17/05/29) e em Recife morreu precoce e drasticamente em acidente de automóvel (01/07/1060) quando tinha então apenas 31 anos de idade.

Poeta lírico e contruidor de belas e plásticas imagens poéticas, Carlos inclusive compôs música com Capiba, a célebre “A mesma rosa amarela”. Devido a seus poemas explorarem a temática do azul ficou conhecido por alguns como o “poeta do azul”. Carlos Pena Filho é um dos principais nomes da poesia pernambucana do século XX.

Publicou: “O Tempo da Busca”, “Memórias do Boi Serapião”, “A Vertigem Lúcida”, “Livro Geral”.

Vamos, pois, aos poemas então:

 

A SOLIDÃO E SUA PORTA

 

Quando mais nada resistir que valha
A pena de viver e a dor de amar
E quando nada mais interessar
(Nem o torpor do sono que se espalha)

Quando pelo desuso da navalha
A barba livremente caminhar
E até Deus em silêncio se afastar
Deixando-te sozinho na batalha

A arquitetar na sombra a despedida
Deste mundo que te foi contraditório
Lembra-te que afinal te resta a vida

Com tudo que é insolvente e provisório
E de que ainda tens uma saída
Entrar no acaso e amar o transitório

____________________________

SONETO DO DESMANTELO AZUL

Então, pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori, as minhas mãos e as tuas.

Para extinguir em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas gratas,
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.

E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul  também cansaço.

E perdidos de azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul.

_____________________________

Chopp

Na avenida Guararapes,
o Recife vai marchando.
O bairro de Santo Antonio,
tanto se foi transformando
que, agora, às cinco da tarde,
mais se assemelha a um festim,
nas mesas do Bar Savoy,
o refrão tem sido assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados.
Ah, mas se a gente pudesse
fazer o que tem vontade:
espiar o banho de uma,
a outra amar pela metade
e daquela que é mais linda
quebrar a rija vaidade.
Mas como a gente não pode
fazer o que tem vontade,
o jeito é mudar a vida
num diabólico festim.
Por isso no Bar Savoy,
o refrão é sempre assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados