HumanasBlog


ADOLESCÊNCIA MEADOS SÉCULO XX

Posted in Memórias Afetivas por Joaquim Cesário de Mello em outubro 15, 2009

Carlos Zéfiro era o nome artístico de Alcides Cunha. Quem viveu sua puberdade e adolescência nos anos 50/60 e início anos 70 com certeza conheceu a obra e os trabalhos de Zéfiro, principalmente os garotos da época.

Carlos Zéfiro se notabilizou por desenhar desenhos eróticos em um tempo em que não tinhamos a abundância de revistas eróticas e pornográficas que hoje se vendem com bananas nas bancas de revistas de cada esquina da vida (no máximo o que tínhamos eram aquelas pequenas revistas pornôs européias que chamavamos de suecas).  Para adolescentes de minha geração Zéfiro era com certeza o “mestre da sacanagem”. Segundo o Wikipédia, Carlos Zéfiro “ilustrou e vendeu cerca de 500 trabalhos desenhados em preto e branco com tamanho de 1/4 de folha ofício e de 24 a 32 páginas que eram vendidos dissimuladamente em bancas de jornais, devido ao seu conteúdo porno-erótico, ficando conhecidos como “catecismos” e chegaram a tiragens de 30.000 exemplares”.

Aqui, portanto, nós que um dia fomos adolescentes, e nós que um dia tínhamos nos desenhos de Zéfiro uma significativa fonte de inspiração às nossas fantasias eróticas, tão necessárias para nossa formação psicossexual, uma homenagem inclusa em

 nossas memórias afetivas,  bem como ainda uma homenagem  àquelas voluptuosas mulheres fictícias que tanto povoou o imaginário dos meninos em crescimento.

Para quem quiser conhecer mais, um pouco mais, da época em que seus pais eram “marmanjões” cheios de hormônios para dar, acessem ao seguinte endereço: biografia3.htm

Anúncios

REENCONTRANDO O PASSADO

Posted in Memórias Afetivas por Joaquim Cesário de Mello em setembro 18, 2009

Há momentos na vida que ainda me comovem e recentemente tive um quando “garimpando” aqui e acolá na web deparei-me com uma suave e melancólica música cantada como que assoprada de um longícuo passado em que eu nos meus parcos anos de meninice conheci em um compacto duplo lá no meio dos discos de minha casa materna. Falo do filme “Os Aventureiros” (1967), de Robert Enrico, com Alain Delon no auge de seu sucesso e beleza, e da cena funeral submarino com sua música de fundo.

Quem se interessar conhecer deste tiquinho de rememoração de quem aqui vos escreve e expõe na sua meia-idade saudosas lembranças de “antão”, sugiro apreciar tanto a cena, a imagem, a música e a passagem, como evocações de um tempo que hoje só nos resta na memória.

Sugiro ainda ao eventual transeute aqui do HUMANASBLOG que possa igualmente conhecer a música Letícia (musicalmente interpretada pelo próprio Alain Delon) que fazia parte do compacto duplo da trilha sonora do filme. A mesma se encontra também no vídeo a seguir:

LAURA ANTONELLI: UM AMOR ADOLESCENTE

Posted in Memórias Afetivas por Joaquim Cesário de Mello em julho 8, 2009
Tags: , , ,

Dando continuidade a saga de expor minhas intimidades à praça pública (oh narcisismo!), vamos falar um pouco daquela que foi pra mim na adolescência, bem como para tantos da minha época juvenil, a minha efetivamente primeira musa e paixão platônica. Falo da belíssima atriz Laura Antonelli.

Para vocês um pouco e o muito da estonteante beleza de Laura Antonelli que por diversas vezes embalou os sonhos luxurientos e amorosos de muitos da minha geração:

Nascida Laura Antonaz (1941), em uma região à época pertecente à Itália mas que hoje é parte da Croácia, Laura Antonelli começou sa carreira fazendo comerciais da Coca-Cola. Seu primeiro filme em cinema foi em 1965 (La Sedicenni), tendo sido seu primeiro sucesso “Malícia”, uma comédia italiana de 1973. Trabalhou com grandes diretores de cinema, entre eles Visconti em “O Inocente” (1976), e chegou a ganhar por duas vezes como melhor atriz o prêmio David di Donatello (equivalente ao Oscar americano). No auge da sua maturidade tanto física quanto artística fez em 1977 a instigante personagem central do inesquecível “Esposamante” de Marco Vicário.

Quando passou “Perfume de Mulher” com Al Pacino possivelmente a turma multiplex do cinema pipoca não deve ter sabido á época que se tratava de um remake de um filme italiano do Dino Rise (”Profumo di donna”) onde foi, pro nosso deslumbramento, a descoberta da exuberância de Laura Antonelli, lá no escurinho do já extinto Cinema Veneza. Arrebatamento total e absoluto. Ali, no alto de minha adolescência e em pleno pique dos meus hormônios, estava eu perdidamente apaixonado por Laura. Mas, afinal, quem não ficaria? Mesmo aqueles que, por razões ou preferências diversas não se sentissem atraídos física e sexualmente por mulher, não deixaram de admirar a beleza da mais perfeita feminilidade da Laura Antonelli e sua mais pura condição de fêmea gostosa. E como!

Devido a seu início de carreira fazendo comédias picantes italianas, Laura Antonelli ficou conhecida por muitos como “A Deusa do Sexo”. Todavia, pra mim, ela foi e sempre será a Laura de “Profumo de Donna” e a sedutora mulher madura e sensual de Esposamante. Não deixem de conhecer o ensaio fotográfico da Revista Playboy (nr. 68) de março de 1981. Que as outras mulheres me desculpem, mas é imperdível.

No filme Esposamante a que já fiz menção acima Laura faz o papel de Antonia, esposa de Luigi (interpretado por Marcelo Mastroianni), que vive um casamento praticamente fenecido. Antonia vive doente, pálida e acamada o agonizar de tal relação, até que ocorre o desaparecimento do marido que trabalha como negociante de vinhos. Todavia, na verdade, Luigi é um ativista político e seu desaparecimento se fez necessário, pois o mesmo foi injustamente acusado de assassinato. Considerado como morto, Antonia agora tem que assumir a condução dos negócios da família e, aos poucos, vai descobrindo o lado oculto do marido que até então desconhecia. Ao mesmo tempo em vai conhecendo um Luigi que não conhecia, vai também começando a aflorar nela uma mulher que ela mesma até então não conhecia: mas auto-confiante, com melhor auto-estima, mais bonita e, principalmente, mais sensual e ciente de sua inteira feminilidade até ali latente. O melhor ainda da história é que Luigi se esconde em frente à casa que antes morava com sua esposa agora “viúva” e, assim, passa a ser ,à distância, testemunha ocular da transformação de sua esposa que, por sua vez, passa a desconfiar da presença dele na casa à frente. Linda e comovente a cena em que Luigi pelas frestas da janela observa com um misto de tristeza, espanto encantamento e ternura o primeiro orgasmo de sua esposa com um recente amante (só Mastroianni poderia fazer aquele olhar). Impagável. Segundo a atriz Marília Pera um dos melhores filmes que ela já viu. Um filme não apenas pra se assistir, mas para se ter em seu acervo (há em DVD). Confiram.

Pois é, acho que o passar dos anos e o rarear dos meus cabelos agora cada vez mais grisalhos não apagaram minha paixão sincera e juvenil de adolescente. Há, com certeza, um espaço carinhoso em minha memória reservado ao tempo em que amava e idolatrava atrizes de cinema. E nunca mais houve ninguém como Laura Antonelli.

Agora vejamos se eu jovem não estava certo em me apaixonar pela Laura Antonelli. Vejamos o evoluir de sua beleza através dos anos. Confiram:

INFÂNCIA NOS ANOS 60

Posted in Memórias Afetivas por Joaquim Cesário de Mello em junho 28, 2009

O que significa hoje, à distância dos anos e das décadas, ter tido uma infância nos anos 60?

Ser criança nos anos 60 é ter curtido filme de Jerry Lewis e se encantado ao som do tema musical do filme “Ao Mestre Com Carinho”.

Ter sido menino no anos 60 é ter viajado de Rural, pedalado de velocípede, brincado de Forte Apache, em que me sentia o verdadeiro dono de Rim Tim Tim,  e montado avioezinhos da Reveel comprados na Viana Leal (ah! que saudade da sua escada rolante).

Ter tido infância nos anos 60 é ter brincado nos escorregos de cimento do Parque Treze de Maio, andado de bicicleta entre árvores, lagos e esculturas, bem como ter assistido pela televisão incrédulo e fascinado o homem pisar na lua.

Quem, como eu, foi criança nos idos dos anos 60 haverá de se lembrar do nosso Super-Herói (muito antes de qualquer Super-Homem, Batman ou Homem-Aranha): National Kid.

Menino que era menino de verdade, nos anos 60, tinha que ficar acordado até tarde e assistir Bat Masterson para dormir cantando “No velho oeste ele nasceu/ e entre bravos se criou/seu nome lenda se tornou/Bat Masterson/Bat Masterson…”

Ter sido criança nos anos 60 é não ter entendido o que é que aqueles tanques estavam fazendo ali nas ruas e por que os soldados não eram de plástico ou de chumbo como meus brinquedos.

Ter podido ser criança nos anos 60 foi ter podido assistir na televisão às tardes os 3 Patetas e escutado à noite na radiola dos meus pais a trilha sonora de My Fair Lady, sem entender uma palavra do que cantavam.

Ah, os anos 60! Foram tão rápidos e ligeiros. Agora é como aquele retrato na parede do poema de Drummond. Ficaram suas marcas e as décadas seguintes só foram as décadas seguintes porque fui criança nos anos 60: anos de minha meninice, mas igualmente anos em que ela começou sem eu mesmo perceber a se despedir de mim. Vieram os Beatles, os festivais da Record, o colorido psicodélico da contra-cultura e os primeiros bailes iluminados à luz negra. Mas isto é outra história para outro momento de intimidade e saudade.
Até mais ver, então, meus anos 60.

Abaixo a música tema do filme “Ao Mestre com Carinho”. Com ela meus afetos pré-púberes começaram a iniciar o princípio do fim de minha infância, lá pelos idos dos anos 60.

MEMÓRIAS AFETIVAS

Posted in Memórias Afetivas por Joaquim Cesário de Mello em junho 25, 2009
Tags: , ,

Como diz Noberto Bobbio, somos guardiões de nossas memórias.  E a memória, a memória de qualquer um, é feita de sons, cheiros, gostos, barulhos, sabores, imagens e sensações. Sou inteiro construído de impressões e reminiscências. No habitar das lembranças existem madeleines que evocam remotas épocas e instantes, assim como em Proust . Pois é, quantas e quantas vezes, e às vezes em um mesmo dia,  um mero estalar qualquer não faz emergir do silêncio das entranhas a afetação das lembranças hibernantes. Quantas e incontáveis vezes já não fomos pegos tão semelhantemente como descreve Proust (Em Busca do Tempo Perdido): ““Eu levei aos lábios uma colherada de chá onde havia deixado amolecer um pedaço de madeleine. Mas no instante em que as migalhas do bolo tocaram meu palato, tremi, atento a algo de extraordinário que aconteceu comigo. Um prazer delicioso me invadiu, isolado, sem noção de causa…

Embora alguns criem blogs para fazer uma espécie de livro diário, não foi esta a intenção e objetivo do HUMANASBLOG. Todavia quando escrevo, ouço, sinto, vejo, penso, pulso e produzo, não consigo jamais escapar de quem eu sou e de minha história – razão pela qual decidi abrir aqui um cantinho reservado ao reviver das sensações e dos afetos que trago em minha biografia. Compartilhando com os demais creio poder contribuir tanto pro reativar das lembranças daqueles que comungam da minha geração, como também mostrar às gerações seguintes o que as antecedeu. Para isto, portanto, penso e espero poder contar com a contribuição dos aqui transeuntes e que possam vocês trazer pra cá os cheiros, sons, gostos e imagens de suas vidas.

Iniciarei com a NOVIÇA REBELDE filme este que está na minha infância como um aroma de mãe, afinal ela me levou para assistir em sua companhia única no mínimo oito vezes ou até mais, afora o disco que lá em casa tocava na agora antiga vitrola.

A Noviça Rebelde (vencedor de 5 Oscar incluindo melhor filme e diretor) é um filme de 1965, dirigido por Robert Wise, e uma das maiores biheterias da história do cinema. Estrelado por Julie Andrews no papel principal o filme conta a história de  Maria que é uma noviça que não consegue seguir as rígidas regras do convento onde mora, por se sentir livre e amar à natureza. São tempo sombrios, o final da década de 30 do século passado, e o nazismo começa a ameaçar e a aterrorizar o mundo (interessante como em criança nunca entendi o porque daquela suástica e o que as roupas pretas dos casacos militares tinha a ver com a história que me encantava tanto). Ao ir trabalhar na casa do viúvo  capitão Von Trapp (interpretado por Chistopher Plummer), lá encontra um pai austero e disciplinador de sete filhos. A chegada de Maria une a família através da música, e faz da Noviça Rebelde um filme não somente de músicas e imagens à época belísimas, mas igualmente um filme com gosto de drops Dulcora e cheiro de perfume de mãe.Ver imagem em tamanho grandeVer imagem em tamanho grande

Do fundo de minha alma, lá onde mora o menino, um pouco não do filme em si, mas um pouco de minha meninice ao lado da mãe: