HumanasBlog


APRESENTAÇÃO

Posted in Notícias e Eventos por Joaquim Cesário de Mello em outubro 24, 2009
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Ver imagem em tamanho grande O HUMANASBLOG é um blog criado para propiciar debates, discussões, circulação de idéias/experiências, e com isto ser um espaço crítico e reflexivo sobre assuntos vários pertinentes à questão humana, suas vicissitudes e manifestações, mais precisamente no campo da psicologia, da arte, da história, das idéias, do cinema, da poesia, da literatura e de temas ligados ao ambiente sócio-cultural contemporâneo que nos envolve.

Coordenado, produzido e editado por Joaquim Cesário de Mello  o HUMANASBLOG espera contar com a máxima e ativa participação de seus visitantes, seja comentando, debatendo, sugerindo e discutindo, bem como contribuindo com temas, trabalhos, artigos e materiais vários (vide e-mail para envio abaixo) dentro do espírito do blog que é o de instigar, incitar e estimular o esprírito humano no que ele tem de mais humano que é a sua capacidade inquieta de sempre querer transformar o mundo e a si mesmo.
Deste modo não esperemos, portanto, neste blog entretenimentos, diversões e lazeres, todavia questionamentos, reflexões, produção de idéias, sentimentos, insights… afinal nossa proposta é ter um blog humano, demasiadamente humano.

Boas leituras…

e-mail p/contato: humanasblog@ig.com.br

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O AMOR E SUAS ORIGENS: BASES PSICOLÓGICAS DO AFETO AMOROSO

Posted in Família e Desenvolvimento Humano por Joaquim Cesário de Mello em agosto 31, 2009
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Já notaram que ninguém nasce amando? Basta observar com atenção um bebê: desde cedo ele demonstra estar sentido medo, ansiedade e raiva, mas e o amor? O recém-nascido te ama? O recém-nascido tem sentimentos de culpa, pudor ou vergonha? A resposta é não. O ser humano vem ao mundo, isto é, nasce com alguns sentimentos ou afetos básicos (afetos primários), tais como os acima falados: medo, ansiedade e raiva. Outros sentimentos ou afetos serão construídos e desenvolvidos mais adiante na existência humana (afetos secundários), tais como a culpa, o pudor, a vergonha e o amor. Os afetos secundários não são assim denominados por serem menos importantes, mas sim por serem posteriores. E são sentimentos que se desenvolvem na psique humana através de nossas interações com os outros (os americanos chamam de “afetos sociais”).

É sobre este intrigante e misterioso tema, o amor, que abaixo reproduziremos um ensaio publicado anteriormente na REVISTA FAFIFE, número 13 (2005),
e que faz parte de uma trilogia, a trilogia do amor. O texto que se segue em sua parte inicial (quem o desejar ler na íntegra é só acessar através do link abaixo) debruça-se sobre a temática desse complexo sentimento que é o amor, a partir de suas prováveis origens e raízes. Da mesma forma que quando estudamos no colégio História estudamos um período chamado de Pré-História (e assim é chamado por anteceder ao período humano anterior ao registro linguístico), o sentimento amoroso também tem sua pré-história, isto é, um período anterior à aquisição da linguagem e do simbólico pelo ser humano, que convencionamos chamar de “oral”, embora seja uma época em todos nós que não iremos verbalmente dizer a alguém que o amamos, até porque não conhecemos a palavra e seus significados. E não é porque se trata de um período de silêncios linguísticos que não seja um período de muitos ruídos e zumbidos inquietantes à alma humana. O presente texto tem o título “A PRÉ-HISTÓRIA DO AMOR: RAÍZES E ORIGENS DO SENTIMENTOS AMOROSO”. Os demais (“A IDEOLOGIA DO AMOR” e “AMOR EM TEMPOS NARCÍSICOS”) publicaremos em outra oportunidade.

A PRÉ-HISTÓRIA DO AMOR: RAÍZES E ORIGENS DO SENTIMENTO AMOROSO

Joaquim Cesário de Mello

“Encontro em minha vida milhares de corpos; desses milhares, posso desejar algumas centenas; mas dessas centenas, amo apenas um. O outro de que estou enamorado me designa a especialidade de meu desejo”. Com estas palavras Roland Barthes (2003, pág. 50) indaga-se por que se deseja alguém, por que se ama.

O amor é tema da literatura, do cinema, da poesia, da filosofia, da psicologia e de tantos outros ramos do saber e das artes humanas. O amor é assunto de todos nós. Quem já não falou de amor? A questão é: sabemos verdadeiramente o significado desse sentimento que chamamos de amor e com o qual relacionamos à idéia de felicidade? Como nasce ele e quais seus motivos? O texto a seguir é apenas um breve ensaio sobre a psicologia do amor e a razão de nossas escolhas amorosas. O tema é vasto, complexo e talvez infindável e inesgotável. Aqui teremos somente algumas reflexões e estudos iniciais a respeito do mesmo: uma ligeira revisão sobre este afeto que está para a alma humana assim como o oxigênio está para o organismo.

Desde os tempos míticos o homem se debruça sobre o tema. Os gregos da Antiguidade, por exemplo, representavam o amor através dos deuses Afrodite e Eros. Eros, filho de Afrodite com Ares, aquele que flechava os corações das pessoas tornando-as apaixonadas, ele mesmo certa vez também se apaixonou por Psique (alma). Após inúmeras peripécias divinas e sofrimentos, Eros se une em definitivo com Psique. Eros e o amor são assuntos do clássico livro O Banquete de Platão (1989). Nele encontramos, na fala de Aristófanes, o relato do mito da androgenia, segundo o qual inicialmente os seres humanos eram seres esféricos, completos e perfeitos. De tão perfeitos que eram os humanos tentaram desafiar os deuses do Olimpo, aspirando chegar à sua morada. Por tal ousadia Zeus os divide, cortando-os em duas metades: um lado masculino e outro feminino (é bem possível residir daí a expressão cara-metade), e os condenou a vagar pelo mundo à procura de sua parte perdida. Tal mito significa, comenta Aranha e Martins (1993), o anseio do ser humano pela totalidade, representada pelo encontro do “par perfeito”. Vem do comentado livro a seguinte frase de Sócrates a respeito de Eros: “um anelo de qualquer coisa que não se tem e se deseja ter”.

Já em meados do período medieval, inúmeras transformações sócio-culturais começaram a ocorrer: o aumento das populações e suas concentrações em cidades, o aperfeiçoamento da agricultura e a intensificação comercial, o surgimento de associação de artesãos e trabalhadores, a criação de universidades, entre outras. A face e a ordem do mundo feudal davam início a algo novo. Em meio a tudo isso a literatura e a poesia da época celebravam o ideal do amor romântico capaz de revolucionar a alma das pessoas. A convenção do casamento por arranjo começou dar vez à idéia do casamento por escolha e por atração sensual. O amor, sentimento sublime, passou então a ser visto, principalmente através de canções e trovas de poetas e menestréis, como algo que redime. O amor é agora o sentimento que nos faz feliz – assim cantam os líricos.

Com o advento da modernidade e a transformação do pensamento e do saber, o ser humano torna-se cada vez mais a medida de si mesmo e das coisas. Segundo Tarnas (2002), com a ênfase à pertinência pessoal das idéias e ao individualismo, “a verdade passou a ser sentida pelo ego”. Com o desmoronamento da cosmografia aristotélica não eram mais os deuses a conduzir o destino do homem, mas sim este senhor de sua própria sorte. As emoções e os desejos humanos não eram mais resultado de decisões e jogos divinos; e o amor e a escolha amorosa, então, passaram a ser decisão de cada um.

Mas, talvez, as coisas não sejam bem assim. Talvez os “deuses” não tenham morrido, isto é, as forças que conduzem o homem e suas escolhas hoje podem não mais ser vistas como algo divino e externo, contudo parece residir no mesmo forças que lhe são internas e ocultas, e que movimentam e motivam a conduta humana. Se a vontade humana, pois, não vem de cima, parece vir então de baixo. Coloquemos isto em outras palavras. Sabemos que Copérnico retirou a terra do centro do universo, assim como Darwin acabou com a ilusão antropocêntrica ao reduzir o homem a sua natureza animal. Já Freud ao iluminar as profundezas arqueológicas da psique revelou que não é a razão propriamente dita a conduzir o comportamento humano. A Era Moderna, assim, inaugura uma nova visão do homem: menos sublime e inseparado da Natureza.

Veja o texto na íntegra: artigo_05.html